A demanda do milho brasileiro

Data: 02/09/2021

Destino: Treino de Artigo para nicho de Agronegócio.

Fonte: @livier-garcia no Pexels

Grão popular, presente em diversos pratos típicos e na cultura agropecuária tupiniquim, o milho sofreu baixas históricas por causa da pandemia. Pesquisas buscam formas de reinventar a agricultura com sustentabilidade e urgência.  

O setor de agronegócios brasileiro foi um dos menos afetados pela pandemia, mas a perda ainda assim foi monumental em diversos escopos. Quando falamos de milho,  tanto para mercado interno quanto externo, assistimos uma safra acima de 100 milhões de toneladas reduzir-se para pouco mais de 80 milhões, segundo pesquisas realizadas em agosto deste ano. 

E há pessoas para comprarem e investirem na área, contudo o país não tem o volume necessário para a distribuição, provocando uma defasagem perigosa. Terceiro lugar no ranking internacional de exportação de milho em 2020, essa queda compromete uma posição que o Brasil lutou para conquistar: de provedor de alimentos a nível internacional. 

A recuperação é um processo lento, mas tem sido cada vez mais pautada em estudos e discussões sobre o “futuro da humanidade”, especialmente quando coloca-se lado a lado do panorama de aumento da fome. Algumas pesquisas apontam que os fertilizantes podem ser importante parte da solução, contribuindo tanto para a renovação do solo, quanto na saúde e qualidade das novas colheitas.

O milho é uma planta resistente, precisa de bastante sol e boa irrigação. Perfeito para o clima tropical e com muita competência para reverter o cenário atual e injetar capital e investimentos no Brasil.

Programas de rádio: Repórter Calango Especial

Data: 2017/2018

Destino: Programa de rádio experimetal feito pelos alunos do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Tocantins

Fonte: @uncoveredlens no Pexels

Dê o play e divirta-se!

Link: https://drive.google.com/drive/folders/15uhWHdPWZfvuvZ-_PrOvIQpnCASDUOKH?usp=sharing

Att: Flávia e Renato me deram permissão para partilhar esse material e também identificar seus nomes. Agradeço demais!

Crônica: Memórias de novilhos tristes

Data: Abril/2018

Fonte: Estela Almeida / Alunos do rancho Tio Bi, em Paraíso, se preparando para a aula de equitação.

A poeira que o vento não conseguia espalhar, o cheiro mesclado de churrasco frio e suor animal, a gritaria disputando cordas vocais com o sertanejo modão que ninguém mais prestava atenção. Era um final de tarde borrado, o céu tinha pelo menos 3 cores ou mais e, em algum momento do dia, as nuvens estiveram mais densas, mas naquele momento eram sugadas pelo horizonte. Adultos bêbados se debatiam na cerca de 3 m, buscando a visão mais privilegiada do duelo entre homem e animal que acontecia na arena. Eu? Pobre pirralha vestida de camisa xadrez, entediada e perdida naquela confusão de sentidos sem nexo algum. Eu só queria ir para casa e ver televisão, provavelmente estaria começando algum episódio repetido de algum programa que eu adorava. Naqueles anos eu sabia até os comerciais de cor e salteado, coisa de filha única talvez, com uma televisão inteira para mim até o momento que minha mãe chegaria do trabalho e me despacharia para o quarto.

Falando nela, da senhora minha mãe, veio até mim naquele dia levemente trôpega, com um sorriso meio torto nos lábios, sugerindo que eu chegasse perto e que nem os cavalos e nem meus primos iriam me morder por isso. Quis dizer não, queria continuar sentada bebendo meu guaraná quente, mas ela sorria com uma confiança que formigava minha curiosidade mal distribuída na pouca idade. Acatei sua mão, estava fria por causa da latinha agora vazia. O terror se apoderava a cada passo que eu dava para perto da cerca, todos se debatiam e falavam muito alto – alguns até urravam palavrões que eram violentos demais para meus ouvidos infantis, puta merda o tempo passa.

Então eu finalmente vi. Fui criada em fazendas, cavalos eram uma visão comum e, na maior parte do tempo, pacífica para mim, mas naquele instante, meu primo estava montado numa fera tão veloz que só pude testemunhar o borrão castanho. De repente o novilho cai no chão, a corda em sua pata me é uma surpresa: como ele conseguiu prender aquele bicho tão rápido? Não notei, mas minha mãe me sussurrou anos mais tarde que eu prendi a respiração tão abruptamente que comecei a tossir por causa da poeira que engoli. Não lembro disso, pois estava hipnotizada, ainda me recordo do suor pingando no rosto do meu primo, dos seus cabelos loiros úmidos, do cavalo parado e arfante esperando as ordens, do novilho derrotado e de cabeça baixa.

Era cinematográfico, naquele pôr do sol glorioso. Nesse pequeno espaço, onde o brilho desponta e o sentimento corre pelo corpo como cavalos selvagens em debandada, eu gritei. Alto, desafinada, acompanhada pela minha família. Era mais do que um canto de vitória, era uma sinfonia de apoio, de pertencimento, como uma alcateia que se encontra pelos uivos.

Não durou muito mais, mas não larguei mais da cerca, meus nós dos dedos ficaram brancos e minha pobre camisa tinha mais areia que tecido. A noite engolia o cenário, o público começou a ir embora, meu primo recebia os parabéns do treinador, amigos e dos pais, que o abraçavam ignorando a sujeira. Minha mãe conversava com alguém enquanto eu, moleca como era, escapulia dos olhares trôpegos dos meus tios e ia até onde estavam os animais, especialmente o trovão castanho que aproveitava sua folga para pastar um tanto. Me meti na cerca, entrei no cercado, alheia ao fato que poderia ser pisoteada, o cavalo parou o que fazia e me observou enquanto meu primo vinha por trás de mim e me segurava no colo, perguntando se eu queria montar.

Em cima do animal, galopando pela pista, sentindo o sangue quente sob a sela e o coração acelerado, imaginei que voar seria exatamente como aquela sensação. Minha mãe berrava em algum canto da visão, meu primo me segurava para não estatelar no chão, a lua minguante surgia preguiçosa no céu e eu, pirralha sem entender de nada, brincava que minha camisa xadrez era uma capa.

Reportagem: Não é mais apenas um joguinho [Parte 01]

Data: Março/2017

Destino: Jornal Bateia Online / Veículo Universitário dirigido por docentes e alunos do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Tocantins.

Fonte: Pexels / @rodnae.prod

O vídeo game não é mais apenas um sinônimo de diversão, os eletrônicos conquistam seu espaço no mundo dos esportes e se tornam cada vai mais competitivos.

A tecnologia avança rápido e conquista áreas completamente inóspitas, arrebatando legiões de seguidores e transformando a rotina de milhares de pessoas. Há 10 anos se você falasse para alguém que aquele joguinho que você jogava no computador iria se tornar um esporte, provavelmente você ou qualquer um, seria ridicularizado com facilidade, afinal quem iria imaginar que games como Super Mario, Bomberman ou Counter Strike realmente movimentariam dinheiro fora do ramo da diversão?

Bem, hoje basta entrar em qualquer portal de notícias e existirá uma seção especial para os “joguinhos eletrônicos”. A indústria de jogos é uma das que mais crescem pelo mundo, são bilhões movimentados não apenas por empresas como Naughty Dog, Bethesda e Rockstar, gigantes que já deixaram sua marca na história gamer recentemente, mas também pelos campeonatos realizados mundo afora. As disputas já chegam a patamares internacionais, jogadores profissionais podem ganhar até R$100mil por partida, faculdades estão abrindo bolsas e cursos voltados para esse mundo novo.

Em se tratando de popularidade o League Of Legendes – comumente chamado LoL, é, com certeza, o melhor exemplo a ser citado. Trata-se de um espécime do gênero multiplayer online battle arena, ou seja, vários jogadores conectados na rede e cumprindo as missões que o jogo lhe dá, seja individual ou em times. A sua popularidade alcançou todas as partes do mundo, o aluno de Ciência da Computação, Jessivan Bezerra, é jogador e comentou que a febre do LoL se deve a “simplicidade, ele é bastante intuitivo e seu aprendizado é uma coisa quase que natural, qualquer pessoa pode fazer o tutorial e sair entendendo o que o jogo pede do jogador. O jogo ser acessível também é um ponto forte, ele é gratuito e roda em computadores de baixa potência.”.


Bezerra também foi um dos organizadores, em parceria com a Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários (Proex), da exibição do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL) no Centro Universitário Integrado de Ciência, Cultura e Arte (Cuíca) da UFT, no dia 08 de abril. O evento se deu pela transmissão da partida entre as equipes Keyd Stars e Red Canids, a partida foi acirrada e emocionante e a vitória do Red Canids foi testemunhada por aproximadamente 300 pessoas, apesar de não parecer tão impressionante Bezerra ressalva que “já é um grande passo para o esporte eletrônico em Palmas.”.

Os campeonatos internacionais começaram oficialmente em 2011, aos poucos foram ganhando público, o CBLoL do ano passado (2016) teve público recorde para um evento de jogo eletrônico; o Ginásio do Ibirapuera (em São Paulo) chegou a 12 mil pessoas. Há quem acompanhe essa maratona há tempos, como o Alceu Machado, que joga desde 2015 e começou a acompanhar os streams para aprender e melhorar seu próprio jogo. Entretanto, existe o outro lado, o aluno de Engenharia Civil da Faculdade Católica, Jalles Victor Pereira, comentou que desde 2013 é ligado no esporte e nas notícias relacionadas, mas acha que a comunidade se tornou “tóxica” devido rixas entre “streamers”.

Streamers desse ramo costumam ser youtubers que jogam, ou comentam, partidas de LoL (sejam elas oficiais ou não), e são bastante populares. Bruno Eugênio é o Amarelito, produtor de conteúdo do canal LoLNinja que já conta com mais de 160mil inscritos, ele comentou sobre a popularidade dos seus vídeos: “acho que é uma parada sensacional. Apesar de ser algo tão novo, a galera do meio acaba pirando demais, se empolga e quer cada vez mais viver próximo a isso. Acabam sendo influenciados pra se tornarem atletas e alimentam ainda mais o e-esport.”. Para o bem ou para o mal os games vieram para ficar, cada vez mais detalhados, modernos, sendo inseridos na rotina e levando ao delírio milhares de pessoas quando seu time, de “bonequinhos animados” conquista o objetivo.

Crônica: E lá vamos nós outra vez

Data: Janeiro/2017

Destino: Jornal Bateia Online / Veículo universitário dirigido pelos alunos de Jornalismo da Universidade Federal do Tocantins.

Chega Janeiro, com seu clima ameno, seus dias cinzas chuvosos e a sensação de monotonia de um tempo que se arrasta, com preguiça de si mesmo, mas que suspira, bebe uma ou duas xícaras de café e segue em frente – é ano novo, vida nova, trabalho, trabalho e mais trabalho. Aquele velho rito que estão todos mais que acostumados, alguns mais saturados que outros, mas reféns com um pouco de síndrome de Estocolmo pela rotina.

A UFT se espreguiça e acorda aos poucos, recuperando-se da ressaca do recesso, recebendo seus veteranos com animação contida, mas eles não são o alvo primordial desta reflexão, os olhos se voltam àqueles rostos novos, esquisitos, perdidos entre os corredores, engolindo seco perante a ideia de perguntar para alguém onde fica a sala certa, os calouros. É sempre uma atividade curiosa observá-los correr por estarem atrasados para alguma aula, além de sentir até certa urticária com tantas emoções positivas em ebulição, afinal uau! Faculdade pública, uma nova página na vida, sonhos, ambições, tudo se mistura nos sorrisos daqueles que aceitam serem inteiramente pintados e levados ao sinal para pedir dinheiro – trote saudável, especialmente para os veteranos que usufruem dos lucros para dar um pulo no bar logo em seguida. Sim, é uma sacanagem se analisado de uma forma geral, mas também é um ritual importante que eles podem escolher, ou não, participar, afinal ninguém deve ser obrigado a fazer o que não quer, especialmente num local onde a pauta de direitos humanos é tão recorrente quanto dogma.

Dos muitos que correm para lá e para cá com suas mentes em rebuliço de tamanha excitação pelo ambiente, é possível ouvir alguns cochichos tímidos aqui e ali: “Tenho expectativa de me encontrar dentro do curso, de descobrir realmente qual área que quero e futuramente exercer a profissão”, comentou Verônica de Macedo, caloura de Jornalismo. É uma coisa bonita de ver, essa animação e o carinho que começa a nascer, os mais velhos respiram fundos, estão calejados e com cicatrizes de boas brigas, fazem alguns comentários até maldosos às vezes, mas não negam, é bom ver o sonho dos novatos e saber que mais um bom colega uniu-se à caminhada.

Irônico não? Mesmo com todas as emoções confusas, boas e ruins, o retorno sempre dá aquele gostinho de “pagar pra ver”, que atiça a curiosidade do ser humano, faz com que se tome uma ou duas xícaras de café e siga em frente, vacilando aqui e ali, mas sempre olhando para as nuvens escuras do céu de Janeiro com alguma sombra de sorriso de lá vamos nós outra vez.